Lançamentos
O Núcleo de Estudos de Língua Portuguesa (NELP), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), tem-se destacado na referida instituição e no cenário nacional, pelo ingente trabalho de organização de corpora histórico-diacrônicos e pelas pesquisas de base empírica que desenvolve, para uma melhor compreensão da história complexa do português no/do Brasil e para o refinamento, com base em processos linguísticos – cruzando dados e metadados –, de propostas de periodização da história sociolinguística do Brasil.
Trabalhando em parceria com o Projeto Nacional para a História do Português Brasileiro (PHPB), entre outros parceiros, o NELP levou a UEFS a ser nacionalmente reconhecida também como um centro de Linguística Histórica no Semiárido Baiano, mergulhando nas “águas profundas” da heterogeneidade complexa do português brasileiro, dedicando-se à sua sócio-história passada e presente.
Os alunos dos cursos de Letras da UEFS têm tido, ao longo dos anos, sua formação em Linguística Histórica, história da língua portuguesa e história do português brasileiro embasada não apenas nos textos clássicos, que se repetem nos programas das diferentes universidades, mas também nas pesquisas desenvolvidas no NELP, como parte de projetos com equipes interinstitucionais.
Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda (UEFS)
Silvana Silva de Farias Araujo (UEFS)
Organizadoras
Este livro reúne, ao longo de seus oito capítulos, abordagens descritivas de propriedades sintáticas e morfossintáticas que se destacaram nos estudos históricos do português, nas últimas décadas, notadamente por sua relevância na trajetória diacrônica da língua em território brasileiro.
O grande mérito desta coletânea, contudo, reside na solidez de sua base empírica — um valioso acervo documental do português no Brasil colonial dos séculos XVII e XVIII —, fundamental para a testagem das hipóteses e pressupostos teóricos assumidos pelos autores na análise das variáveis linguísticas e extralinguísticas. Importa sublinhar, ademais, o valor desta obra, pela excelência de sua equipe de jovens pesquisadores, vinculados ao Núcleo de Estudos de Língua Portuguesa (NELP), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Dedicado à renomada linguista e professora Ilza Ribeiro, este volume presta justa homenagem à sua memória, ao se engajar criticamente em um dos debates mais relevantes por ela suscitados, que permanece atual e profícuo no campo dos estudos diacrônicos do português brasileiro: “A mudança sintática do português brasileiro é mudança em relação a que gramática?”.
— Maria Aparecida Torres Morais
Organizadoras: Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda, Zenaide de Oliveira Novais Carneiro, Elane Santos e Santos, Maiara da Silva Lemos
A leitura dos textos que compõem esta coletânea nos conecta com a história, desde o início do processo de colonização às primeiras décadas do século XIX, possibilitando a pesquisadores – por meio de análise sócio-histórica do português, mais especificamente do português brasileiro – ter contato com fontes manuscritas produzidas em diferentes épocas e por diferentes agentes sociais. Ao ler os 12 capítulos que compõem esta coletânea, além da apresentação, percebo nitidamente o significado da frase “tecendo o fio da história”.
Uma metáfora que cabe perfeitamente nas várias histórias de vida aqui analisadas, articulando as narrativas ao processo de fiação em suas várias etapas, convertendo as fibras em fios – da cardação à fiação – e, por fim, o entrelaçamento destes para a formação do tecido. Louvo a iniciativa dos organizadores e reforço a importância do trabalho desenvolvido no âmbito do projeto Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão e do Núcleo de Estudos de Língua Portuguesa da UEFS, que têm papéis importantes na difusão do conhecimento produzido no interior da universidade. Lendo estas páginas – e aproveitando o que os autores possibilitaram ao longo dos textos –, me senti exercitando o que, metaforicamente, Carlo Ginzburg chamou de revelação da analogia entre inquisidores e antropólogos/historiadores, ou seja, olhando por cima dos ombros dos scriptores, buscando compreendê-los para além da reprodução do discurso.
— Grayce Mayre Bonfim Souza
Organizadoras: Rosana Carvalho Brito, Izaías Araújo das Neves Paschoal, Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda e Zenaide de Oliveira Novais Carneiro
A leitura de Dois Livros e Três Gerações: Estudos Sócio-Históricos e Linguísticos da Coleção O Sertão por Escrito (1755-1838) trouxe à memória um comentário informal do Professor Afranio Barbosa sobre o que é fazer pesquisa em Linguística Histórica. Para o desbravador dos estudos sobre a história do português colonial, somos “os escafandristas” da canção Futuros amantes de Chico Buarque, que “virão explorar sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos” em “alguma cidade submersa”. Ao fazerem suas anotações contábeis no Livro de Razão, entre 1795 e 1838, Antônio e Inocêncio Pinheiro Pinto, da fazenda de criação do Brejo do Campo Seco, não podiam vislumbrar que seus apontamentos sobre negócios, escravizados, animais, entre outros, cairiam em mãos ávidas por decifrar aspectos sociais e linguísticos do sertão brasileiro colonial.
Duzentos anos depois, estamos diante de uma obra primorosa, que reúne estudos que transitam, com bastante profundidade, na sócio-história e na língua dos setecentos, período ainda pouco estudado pelos pesquisadores da área. A dificuldade do acesso aos documentos manuscritos da época e os desafios de sua leitura têm sido um impeditivo para o avanço das pesquisas sobre o português colonial. Nessa esfera, reside mais um mérito deste livro precursor que a equipe envolvida com o renomado projeto Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão (CE-DOHS) traz à baila. Assim, o leitor está diante de um livro que reúne, de forma bastante profunda, fontes manuscritas de três gerações de uma família que viveu entre os séculos XVIII e XIX, no Alto Sertão baiano.
A obra aprofunda, de forma primorosa, uma gama de aspectos sociais, históricos, culturais e linguísticos.
— Célia Regina dos Santos Lopes
Organizadores: Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda, Adilson Silva de Jesus e Zenaide de Oliveira Novais Carneiro
Pesquisar e publicar resultados sempre foi um desafio para investigadores/pesquisadores. A presente obra reúne estudos e pesquisas de investigadores do Brasil, Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Esses estudos fomentam a necessidade de diálogo permanente entre estudiosos da Lexicologia, da Lexicografia e da Onomástica em diferentes perspectivas atitude que incentiva estudantes da graduação e da pós-graduação na busca de novas discussões teóricas e práticas sobre os temas. Os vinte e um capítulos usando as variedades do português revelam que apesar de falarmos diferentes compartilhamos as mesmas angústias e preocupações científicas. Esta obra valorizou essas variedades chamando atenção aos leitores sobre as realidades sociolinguísticas dos escritores.
Os debates aqui apresentados nestas 485 páginas abrem caminhos para novas perspectivas e instigam para que novos estudos possam dar continuidade. Desta forma, os organizadores só proporcionam o ‘palco’ para que ‘as estrelas’ (escritores) possam brilhar. Boa leitura a todos.
Organizadores: Norma Lucia Fernandes de Almeida e Alexandre António Timbane
África e Brasil. Separados pelo Atlântico e unidos por uma língua. O profundo contato linguístico da população de origem africana com o português na história sociolinguística de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e do Brasil foi responsável pelo surgimento de diferentes variedades da língua portuguesa.
Estudos sobre a realidade linguística desses países africanos têm atraído muitos linguistas brasileiros, tendo por tarefa recolher evidências empíricas que ampliem a compreensão sobre a formação histórica do português brasileiro, além da compreensão sobre a formação histórica do português em solo africano. Portanto, está na base da proposição deste compêndio a reflexão sobre questões teóricas relativas ao contato entre línguas, seja em África, seja no Brasil.
Esta preciosa Série agrega um atestado a mais à Linguística Histórica Brasileira, cuidadosamente cultivada pelos pesquisadores do Projeto para a História do Português Brasileiro/Bahia Sertões, que honram a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). O I Seminário do Projeto História do Português Paulista (PHPP) ocorreu em 1997 (Castilho, 1998). Nessa ocasião, por iniciativa dos participantes, o projeto regional assumiu uma dimensão nacional, mudando-se sua designação para Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB). O “para” foi uma sugestão oportuna de Mattos e Silva, que nos advertia sempre sobre a enormidade do empreendimento.
Todos aceitamos a sugestão de Rosa Virgínia, cujas pesquisas na UFBA mantiveram acesa a chama da diacronia em nosso país. Mas a Bahia não parou por aí, pois, em 1998, criava-se, no Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Feira de Santana, o Núcleo de Estudos de Língua Portuguesa (NELP). O NELP, com quase 30 anos de trabalho intenso, tem já uma enorme folha de serviços em favor da Linguística Histórica no Brasil.
É fácil prever os muitos estudos que esta série de Documentos para a História do Brasil Colônia certamente provocará, melhorando nossos conhecimentos sobre uma fase importante do Português Brasileiro.
— Ataliba Teixeira de Castilho
Coordenação Geral: Zenaide de Oliveira Novais Carneiro, Mariana Fagundes de Oliveira Lacerda e Alícia Duhá Lose